Publicado por: Lucila Brito | 19/09/2015

POR UMA PÓS-GRADUAÇÃO PRODUTIVA E LIVRE

A ideia que se faz de um ambiente acadêmico envolve adjetivos como inovador, dinâmico e estimulante. No entanto, essas características têm vazão, apenas, em um ambiente de debate, diálogo e interação. Do contrário, o que torna a atividade acadêmica rica e produtiva pode ser comprometido e a experiência acadêmica será limitada.

Isso é ainda mais preocupante quando a noção de liberdade de expressão é limitada a quem tem vantagem em uma relação de poder, podendo ser, perigosamente, deturpada a ponto de se configurar como exercício de desrespeito e, até, intolerância.

Quando a vida acadêmica é limitada, o trabalho criativo – necessário a uma produção acadêmica de qualidade, é represado. Em seu lugar, parece surgir um trabalho repetitivo e de baixo impacto. Seria a falta de debate, diálogo ou interação o problema da produção científica no Brasil?

A academia vive uma constante preocupação com a produtividade e isso parece estimular uma ideia enviesada de competitividade, nascida do debate raquítico na vida acadêmica. Havendo a necessidade de produção, mas em um contexto de debate insípido – com ausência de ideias criativas o suficiente para terem qualidade, é estabelecido, frequentemente, um perigoso cenário acadêmico: censura ao debate, ausência de cooperações, plágio, falsidade ideológica, etc. Isso se torna tão crítico que há estudos que relatam o comprometimento da saúde mental, tanto em alunos como em professores universitários. Parece ser criada uma experiência medíocre, baseado no produtivismo de baixa qualidade, aliado a perseguições e intrigas.

Para um ambiente acadêmico rico é necessário que se busque a abertura ao debate, ao conflito, a uma experiência acadêmica pulsante e franca. Livre de amarras ancoradas no individualismo e na troca de favores. Livre, sobretudo, do receio de que a expressão do outro comprometa a sua própria expressão. O conflito é matéria-prima para evolução e essa é a competição saudável. Fora isso, em vista do ambiente acadêmico se organizar em comunidades, só a cooperação pode dar bons resultados. E a cooperação real, em que cada um contribui com/contrapõe saberes para a construção de um todo significativo, o trabalho acadêmico.

Um horizonte acadêmico nebuloso

Um horizonte acadêmico nebuloso

A pós-graduação é o cerne do ambiente acadêmico. Há quem encare a encare como uma capacitação. Há, tanto da parte discente como docente, quem encare como um benefício financeiro. No entanto, a pós-graduação pode ser tais coisas, sem descuidar de sua meta principal: o desenvolvimento científico do país. É uma responsabilidade grande e a sociedade, que parece se movimentar (mesmo de forma ainda confusa), pode (e deve) vir a cobrar o retorno de seu investimento em ciência.

Os desafios que o séc. XXI traz à grande comunidade global parecem não comportar mais o individualismo, a repetição e a mediocridade. É papel do ambiente acadêmico – como campo de fronteira, tomar a frente na expressão da cooperação, da criatividade e da excelência.

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