Publicado por: Lucila Brito | 27/08/2013

À Margem

Já comentei aqui que, na Paraíba, sou ribeirinha. Esta manhã, tomei um caminho alternativo e passei pela rua que fica a margem do rio. Margem do rio não é força de expressão, porque o meio-fio da rua não fica a 10 metros do leito.

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Antigo casario à beira do rio Jaguaribe, em João Pessoa/PB.

Entre o leito e o meio-fio, não tem nada de mata ciliar, é terra nua. Meses atrás, eram casas que foram demolidas pela prefeitura em uma ação de urbanização e realojamento dos moradores da área. Foram construídos pequenos prédios, com três andares, para as novas moradia. Um destes, bem próximo ao local original, também à margem do rio.

Não conheço o projeto da prefeitura, mas me parece bem mal costurado, quanto à questão de urbanização. Há meses que aquela área é terra nua. As matas ciliares são importantes porque, dentre outras coisas, protegem os rios de assoreamento. E, com chuvas, o risco é bem maior.

Foi isso o que vi esta manhã. Uma escavadeira se ocupava em retirar toneladas de terra que correram para o rio, com as chuvas dos últimos meses. Trabalho perdido, porque, logo que voltar a chover, irá assorear tudo novamente. É tanto que sempre há uma escavadeira passando por minha rua, transversal a rua à margem do rio.

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Escavadeira, em operação inútil de retirada de resíduos de assoreamento do fundo do rio Jaguaribe, em João Pessoa/PB.

Vocês não se abestalham com a falta de planejamento público? Como é possível tanta gambiarra vinda de gestores capacitados? Primeiro, construíram as novas habitações em local de tanto risco quanto as antigas. Depois transferiram a população, demoliram as habitações antigas e, por meses, deixaram o entulho na área, para abrigo de insetos, animais e doenças. A limpeza da área coincidiu com o início do período chuvoso, o que está sendo traduzido no assoreamento das margens. Claro, não deve haver nenhuma etapa de reflorestamento no projeto. Isso é supérfluo para o poder público. Um bom negócio é, talvez, alugar uma escavadeira e remover ad eternum  a terra que se depositará no fundo do rio.

Esse não é o paisagismo esperado em uma área urbana. João Pessoa/PB.

Esse não é o paisagismo esperado em uma área urbana. João Pessoa/PB.

E se, acaso, uma chata como eu fizer uma denúncia ao Ministério Público sobre a possibilidade de estar havendo descumprimento ao Código Florestal naquela área, o prejuízo político é ainda maior. Só político, mesmo, que essa lei já serviu, em um passado distante, para proteger Áreas de Preservação Permanente – APPs, hoje, muita coisa é utilidade pública ou interesse social. Tristemente, menos a preservação dos recursos hídricos.

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