Publicado por: Lucila Brito | 27/12/2012

Flagelo Político

Conforme o prometido a vocês, queridos leitores imaginários, fui até o baobá do poeta, para poder lhes apresentar fotos com todas as fases de suas flores. Mas, não foi possível. Não havia flores. Talvez, as condições climáticas deste ano tenham alterado um pouco o período de floração especificado pelo poeta. Até agora, no ano de 2012, em Natal, tivemos uma média de precipitação de 69 mm e, nos últimos três meses, de 5,87mm. No ano de 2009, a precipitação foi bem mais positiva, com uma média anual de 182,3mm e, em 2010, no trimestre anterior aos registros feitos para este blog, em 2010, a média foi de 70,06mm (1).

Bom, escassez de chuvas é o que chamamos de seca. Causada, inicialmente, por padrões climáticos globais, a seca no Nordeste é sempre tratada com um flagelo, uma fatalidade, trágica como uma tsunami. Mas, não o deveria, porque é cíclica e, muito embora possa ocorrer com maior ou menor intensidade, está bem longe da imprevisibilidade. Acontece que o poder público gosta de pensar que é uma tragédia inesperada e inevitável e, que por isso, são necessárias sempre ações emergenciais que, forçosamente, necessitam da liberação de verbas astronômicas para remediar os danos. É a indústria da seca, a indústria do desastre, muito custosa para os cofres públicos e bem lucrativa para a máquina política nordestina. E, isso, sempre me deixe claro que o flagelo no Nordeste, não é a seca. É o jogo político.

A seca, ao nosso baobá, não causou mais do que, provavelmente, o atraso em sua floração. Mas, não posso deixar de dizer que o flagelo do jogo político atingiu o baobá da R. São José profundamente.

Não dirijo e estava muito bem acompanhada de mim mesma na tarde do dia seguinte ao Natal. Então, peguei um ônibus, desci a altura do antigo Hotel Tirol e segui pela Av. Alexandrino de Alencar, a pé, em direção a R. São José. O calor senegalês do verão que se iniciou na sexta-feira da semana passada quase não me incomodou, porque é um trecho bem arborizado e com uma brisa generosamente canalizada pelo Parque das Dunas. Digo quase porque em todos os canteiros, calçadas, praças e esquinas se acumulavam dezenas de sacolas cheias de lixo, cuja decomposição, catalisada pelo calor, fizeram do trecho um curtume a céu aberto.

DSC03191

Calçada do baobá do poeta.

E, quando cheguei ao baobá do poeta, a situação era igualmente desoladora. Toda a calçada que conduz à árvore estava tomada por lixo, entulho, restos… Sacolas, caixas e latas levadas pelo vento encontravam abrigo aos pés da célebre planta. Essa situação é manchete jornalística há tempos, mas, as causas, poucos veículos se atrevem a discutir.

Não é porque é Natal. A cidade está nessa situação há quatro anos, depois que um governo de propaganda ambientalista foi eleito pela maioria absoluta do eleitorado, apoiado por lideranças políticas e figuras da Academia. Figuras que não levaram em consideração o histórico da candidata, de seus aliados e de sua família política, mas, apenas, o discurso ambientalista do partido. Uma posição ingênua, diga-se de passagem, que à época, muito me aborreceu.

Hoje, deixa-me muito triste. Comparem as imagens de dois anos atrás que ilustram o post anterior… Ver canteiros, praças e monumentos naturais depredados, lixo às montanhas por todos os cantos deixa claro que uma gestão que não pôde dar conta do básico das obrigações da municipalidade não pode ter agido com competência e respeito maior frente às questões mais complexas de governo.

Deficiência na limpeza pública deixou assim o pé do baobá.

Deficiência na limpeza pública deixou assim o pé do baobá.

Coleta de lixo irregular deixou este monumento natural da cidade neste estado.

Coleta de lixo irregular deixou este monumento natural da cidade neste estado.

E esse tipo de governo não é exceção no Nordeste. Esse tipo de governo é que permite que um fenômeno climático natural seja um flagelo, sem sequer se preocupar com o cheiro que exala.

Foi isso que pensei enquanto olhava para o baobá, na semana de aniversário da cidade do Natal. Eu, que esperava sentir o cheiro desagradável das flores de baobá, acabei por sentir a podridão do jogo político, que não se envergonha em se expor pelas ruas de Natal.

O flagelo político em Natal.

O flagelo político em Natal.

(1) Agritempo – http://www.agritempo.gov.br

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