Publicado por: Lucila Brito | 03/04/2010

Primeira Folha

Esta é Natal/RN. Ao fundo, o Rio Potengi.

Este blog surge da união entre duas paixões e uma necessidade.

Das paixões. Por palavras e flores. Desde menina. A tal ponto de nove entre dez redações feitas no tempo de escola ser de variações sobre o tema… Muito constantemente, sobre o título “A Natureza”. Perceba a sofisticação estilística.

Da necessidade. Minha formação é essencialmente ligada ao conhecimento de coisas naturais. Em outras palavras, sou bióloga. Mas, como muitas outras profissões, no exercício diário, acaba-se por destinar mais tempo ao serviço de papelada, mesmo. Então, para evitar que a monotonia comprometa minha paixão legítima pela profissão (“A Natureza” sempre em mente), procurei uma coisa que me fizesse estar sempre em contato com as coisas naturais e que me fizesse pensar ser um trabalho, também.

Então, cá estou eu iniciando este projeto chamado de “Árvores de Natal”. Percebeu meu tino publicitário? Ao menos em uma época do ano este blog poderá ter a visitação consideravelmente elevada… Mesmo que seja por desavisados, em busca de inspiração para decorações natalinas. Quem sabe eles não simpatizam e acabam ficando. Assim me poupo do embaraço extremo, para uma pessoa reservada, que seria divulgar este espaço. Acho que irá funcionar.

E por que árvores? Planta é a forma primária de minha paixão pela Biologia. O interesse pelo que era microscópico só veio depois, já na faculdade. No princípio, digo, no início do curso, era o mangue. Depois veio a Fisiologia e a produção vegetal. Agora, ainda bióloga, estou meio longe dos vegetais, especificamente. Há pouco tempo, percebi que as árvores estavam meio esquecidas em uma prateleira empoeirada da minha mente. Tive, em dada ocasião, dificuldade em identificar certa árvore corriqueira, dessas que tem as dúzias, nas calçadas de minha cidade.

Minha cidade é Natal, capital do Rio Grande do Norte. Você pode ter muitas informações sócio-econômicas dela aqui. Aqui, irei lhe informar apenas que o clima predominante é o equatorial seco. Em termos gerais, isso quer dizer que temos duas estações bem definidas: o verão (ou estação seca) e o inverno (estação chuvosa) e uma temperatura média de 28°C. Mas, a localização privilegiada de minha cidade acrescenta mais uma variável extremamente bem-vinda: a brisa. Sopra constantemente do mar. Isso nos dá a seguinte condição de vida cotidiana: clima quente e fresco. Ou nos dava. Cenas dos próximos capítulos.

Não esqueçamos o sol. Natal está muito próxima a Linha do Equador. Aquela que divide o mundo em duas partes: os hemisférios norte e sul. Isso faz com que os raios solares incidam mais diretamente sobre a nossa cidade. Para se ter uma idéia, em Natal, durante caso todo o ano, amanhece às cinco horas e anoitece as dezessete. Doze horas diárias de sol. Na sua cidade, que horas amanhece? Depois conversamos sobre isso. Mas, como eu ia falando, é muito sol o ano todo. E isso influencia diretamente o clima característico de Natal. E, nos últimos anos, a incidência de radiação solar, por demais insistente, tem castigado bastante, ao menos a quem não está aqui a passeio. Outras cenas.

Então essa é Natal. E as plantas? E as árvores? O clima e a insolação, moldados pela localização de Natal, favorecem ao aparecimento de um bioma tropical característico da América do Sul: a Mata Atlântica. Ao longo da costa atlântica, a vegetação que forma esse bioma varia bastante. Aqui, em Natal, ela se apresenta, principalmente, composta de três ecossistemas: floresta tropical subcaducifólia, restinga e manguezal. Muitos termos técnicos neste parágrafo, não? Por isso, pesquise!

A floresta tropical subcaducifólia é bem representada por um dos maiores parques urbanos do Brasil, o Parque das Dunas. É esse aí do cabeçalho do blog, visto do Centro de Convenções de Natal. Lá, podem-se encontrar representantes arbóreos desse ecossistema tropical, mas também da caatinga, uma savana brasileira. Como o próprio nome sugere, a ação dos ventos leva ao relevo que caracteriza não só a capital, mas grande parte do litoral do RN: as dunas.

A restinga, na minha cidade, é predominante arbustiva. O que quer dizer que árvores, em Natal, são pouco frequentes nesse ecossistema. Talvez, há alguns anos, fosse mais comum encontrá-las em restingas.

O manguezal, ecossistema de grande impacto visual, pode ser identificado às margens do principal rio que corta a cidade, o Rio Potengi. A este, a cidade se ocupou de dar a função de, por assim dizer, divisor social. Tanto que, mesmo com exuberância natural semelhante nos dois lados, em matéria de áreas verdes planejadas, como praças, o desequilíbrio entre os dois lados é gritante.

E, aqui, voltamos ao que originou este blog: a arborização urbana. A beleza natural da minha cidade não encontra integração e reflexo no espaço urbano. Embora haja raríssimas e honrosas exceções, como a praça ao lado do corpo de bombeiros, as áreas verdes públicas da cidade falham em reproduzir o encanto natural que atrai tantos visitantes.

O Corpo de Bombeiros e sua praça na esquina entre as Avs. Alexandrino de Alencar e Prudente de Morais.

Na verdade, não sei se sequer houve preocupação em fazê-lo. Aqui, não discuto o projeto, bem sucedido, das duas principais áreas verdes públicas da cidade, que o Bosque dos Namorados e a Cidade da Criança. Embora esse último se encontre um pouco abandonado atualmente. Acredito estar em reforma… Voltando, falo dos espaços de fácil acesso, que possam trazer qualidade de vida e conforto térmico sem que, para isso, haja necessidade de um grande deslocamento. Temos canteiros e calçadas pouco arborizados. Se arborizados, pouco planejados. Temos praças sem árvores e, quando existem, sem manejo adequado.

Essas condições de arborização urbana em Natal são preocupantes, principalmente, quando lembramos que a cidade já esteve entre as mais arborizadas do país. Talvez, por isso encontrei tantos planos de cuidar da arborização de Natal quando comecei minha criteriosa pesquisa (leia-se, digitar “arborização urbana em Natal” no Google) para iniciar este blog. Louváveis. Estão aqui, aqui e aqui, para quem quiser conhecê-los, também.

A mim, a motivação vem das paixões e da necessidade que citei no início do post. Posso adicionar também a vontade de que eu, assim como outros moradores de Natal, possa contar com a sombra providencial de uma árvore ao caminhar pelas ruas, durante outro verão escaldante. Metade disso, em praças e parques, legalmente, é nosso direto. A outra metade, em vias públicas e quintais, legalmente, não são nossos direito. Mas, sabemos do bem que fazem.

Calçadão da Av. Roberto Freire. Atrás da cerca, o Parque das Dunas.

Embora a beleza natural seja um exemplo a ser seguido, não acredito que as árvores de Natal devam refletir apenas o que nos é natural. Deve refletir o que também nos é social: essa cidade repleta de gente de fora, do interior. Que trazem consigo parte do que lhes é natural, também. Que trazem consigo parte do que lhes é emocional.

Por isso, o Árvores de Natal irá apresentar, semanalmente, não apenas espécies características dos três principais ecossistemas que compõem a nossa cidade. Irá apresentar, também, as árvores que aqui chegaram pelas mãos de gente de fora e de gente de dentro. Desde que essas árvores reflitam Natal. Seja o clima, a cidade ou as pessoas.

Árvores de Natal terá muita Biologia, muita Evolução. Espero que isso não o afaste, porque quero lhe mostrar também a poesia dessa minha paixão.

Mas, o que, no fim das contas, é uma árvore?

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Responses

  1. Luciiiila, parabéns!! Adorei a iniciativa do blog, nossa cidade realmente está precisando de pessoas que discutam sobre o nosso verde, não do Partido.. essa já tem de mais e não muito interessante… Precisamos divulgar esse espaço de utilidade pública para todo natalense, vou começar fazendo minha parte. Abrç!

    • Oiê! Que vergonha… Mas, ‘brigada pela visita!
      Bjim


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